Não faça que tudo seja mentira
De veras, és única verdade do campo
Se o outono te derrubar como uma folha seca
Será falso
E eu já não posso mais com outonos
Meu veraneio sol de primavera
Faz brotar lírios en-canto
Boca
Que se cala com a saudade
E desnorteia com igual semelhança
Não seja tu também um falsário
Ou ainda um horrorizado
Nem mesmo um iludido
Cravo de mato virgem
Rosa, crava-me espinhos
Em perpétua devoção
Delírio de um desvairado
Paixão de-ma(is)drugada
Tu
Sorriso do rio
Descendo pela encosta
Língua sobre as costas
Barranco de terra molhada
Pé afundado em lama
Fria
Em dia de sol
Não derreta no verão
Não congele nos infernos
Floresça meu peito apedrejado
Curumim de flecha ardente
Incendeia a mata morta
Um jasmim pra ti por mim
Sonho que cheira madeira velha
Volúpia da primavera
Meu devaneio prematuro
Desejo de criança
Não se faça no meu jardim
Folha velha de um outono derradeiro
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